segunda-feira, 3 de junho de 2013

A magia das letras na minha história

A minha relação com as letras sempre foi mágica e especial.

As palavras nasceram comigo, acho que se fundiram ao meu DNA na minha concepção. Elas estão nas minhas primeiras memórias.

 Lembro-me de bem pequena, meu avô, com seus inimagináveis 81 anos, em meio da bagunça do natal com meus 12 primos arteiros, me punha no colo para contar intermináveis fábulas. Eu viajava entre os ratos, príncipes, sapos e leões que apareciam, despareciam e tornavam a aparecer, e eu ia longe, bem longe daquela sala e daquelas luzes e daquele barulho todo. Eu e meu avô numa viagem especial.

 Com 7 anos, quis compor poemas.Como mágica, descobri que as palavras poderiam ter sons parecidos como uma música combinando e descombinando. A palavra-melodia agora dividia espaço com a palavra-imagem e o jogo foi ficando cada vez mais interessante. Surgiram pequenos poemas de uma pequena intrometida.

 Aos 9, minha mãe me apresentava com “rata de biblioteca” às suas amigas. E o que fazer com uma menina que leu os contos de Oscar Wilde e agora queria ler o Retrato de Dorian Gray? Compra Alice no País das Maravilhas! Assim, minha mãe foi a minha censora e a minha apoiadora enquanto eu ia desvendando o país das Maravilhas, do Espelho, Liliput, Paris, Marselha, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Londres. Cada tarde em uma cidade diferente, com companheiros diferentes.

 Entre os 12 e 18 participava de todos os concursos de poesias e contos e crônicas que poderia e que não poderia (minha mãe chegou a ganhar um concurso com uma crônica minha, uma vez que somente maiores de 18 anos estavam aptos a concorrer). Finalmente, meus textos e poesias saíam de uma pasta azul da minha gaveta e desbravavam o sertão paulista. A escrita era uma questão fisiológica, escrevia para não enlouquecer com os problemas e dúvidas de uma adolescente tímida.

Depois do curso de Letras, ainda vieram 3 peças de teatro, apresentadas com meus alunos e a criação do meu blog pessoal, Coisas de Laurinha, em que jogo com as palavras, tentando ainda descobrir o limite dessa brincadeira que começou lá trás na sala do meu avô entre as luzes de natal.

Hoje a mágica acontece na tentativa de passar esse jogo para os meus alunos.

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